Oficial da BM suspeito de receber dinheiro de milícia é afastado do comando do 20º BPM

Tenente-coronel Pithan foi afastado das suas funções. Foto: Gustavo Mansur/jornal Diário Popular

O tenente-coronel André Luís Otonelli Pithan foi afastado das suas funções de comandante do 20º BPM (Batalhão de Polícia Militar), em Porto Alegre. O oficial é suspeito de receber R$ 7 mil da empresa Nasf Portaria e Segurança, investigada por formação de milícia, quando comandava o 4º BPM, em Pelotas.

A decisão de afastar o tenente-coronel é da Justiça Militar, que aceitou as denúncias do Ministério Público. “Em função das vantagens indevidamente recebidas, com o objetivo de repassar informações privilegiadas de interesse da organização criminosa, deixava de praticar atos de ofício, quais sejam, apurar e reprimir os delitos cometidos pelos integrantes da NASF”, afirma o MP.

Quando a operação “Braço Forte” foi deflagrada, Pithan chegou a ser preso na ação do Ministério Público e, depois, acabou sendo liberado. O tenente-coronel é investigado por suposta participação ou facilitação para que a Nasf agisse no município. Com ele, estava uma arma de um dos presos na Operação.

Pithan chegou a ser indiciado em um Inquérito Policial Militar pelo crime de prevaricação, mas acabou sendo absolvido. Ele é réu em um processo da 3ª Vara Criminal de Pelotas, junto com outras 30 pessoas, que eram associadas – direta ou indiretamente – com a Nasf.

A Operação “Braço Forte”

Segundo apurado pelo MP, o tenente da reserva da Brigada Militar Nelson Antônio da Silva Fernandes e seu filho, Wagner Nicoletti Fernandes, comandavam, em Pelotas, empresa cuja fachada era atuação na área de segurança privada, conhecida como NASF. A empresa foi alvo da Operação Braço Forte, desencadeada pelo Ministério Público em abril do ano passado.

Sob o pretexto de impor respeito às residências e estabelecimentos comerciais que tinham a placa da empresa afixada, os integrantes da Nasf sequestravam, agrediam e torturavam suspeitos de crimes contra essas propriedades. Interceptações telefônicas autorizadas judicialmente à época também evidenciam os crimes praticados pelo bando.

O nome da operação, “Braço Forte”, é uma alusão ao slogan da empresa “O braço forte da comunidade”, que por sua vez é uma alusão ao da Brigada Militar: “A força da comunidade”.

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