Polícia desarticula quadrilhas que movimentaram R$ 520 milhões com jogo do bicho no RS


Operação Deu Zebra investiga crime de lavagem de dinheiro milionário. Foto: Polícia Civil/Divulgação

A Polícia Civil deflagrou nesta terça-feira a operação “Deu Zebra” para desarticular quadrilhas que faziam lavagem de dinheiro através do jogo do bicho em cidades da Campanha e da Fronteira Oeste. Foram cumpridas 237 ordens judiciais em 14 municípios, que resultaram em 19 prisões, mais de R$ 200 mil reais, carros, motos e outros objetos apreendidos e 19 imóveis sequestrados.

As quadrilhas presas nesta terça-feira usavam a tecnologia para facilitar a venda do jogo do bicho. Segundo a delegada Ana Luiza Tarouco, foram 16 meses de investigação. Através da contravenção do jogo ilegal, os criminosos lavavam milhões de reais por mês. Em quatro anos, foram ao menos R$ 521 milhões.

“Foram mais de 250 horas de vigilância, mais de 5 mil horas de interceptações telefônicas que auxiliaram na identificação de quase uma centena de envolvidos no esquema”, conta a delegada. Os policiais detectaram mais de R$ 11 milhões em patrimônio dos investigados, sendo 57 veículos e 19 imóveis. Tudo conseguido com o dinheiro vindo do jogo ilegal.

“Não nos limitamos somente a identificar apontadores do jogo, mas buscamos identificar toda a cadeia criminosa que atua por trás das máquinas de apostas, mapeando uma infraestrutura organizada e hierarquizada, formada por apontadores, recolhedores, gerentes, laranjas, equipe de TI, suporte logístico e líderes, numa atuação, que acreditamos, inovadora em se tratando de investigação de jogos de azar”, destaca a delegada.

Como funcionava o esquema

O jogo do bicho realizado pelos criminosos presos hoje não tinha mais cartelas. Os bandidos usavam máquinas semelhantes às de cartão de crédito para fazer as apostas. O software do equipamento foi modificado para que elas se passassem por equipamentos comuns.

Todos os dados do jogo do bicho eram transferidos, via internet, para duas empresas, uma delas de Taquara, no Vale do Paranhana, e outra de Porto Alegre. Conforme a Polícia Civil, eram dois grupos liderados pelos bicheiros Mario Kucera, em Bagé, e Marcos Dierka, em São Gabriel. Eles controlavam o esquema no Estado e eram ligados aos contraventores de outros estados.

Cidade do estado em que ocorreram buscas:

  • Bagé
  • Caçapava do Sul
  • Cacequi
  • Dom Pedrito
  • Pelotas
  • Porto Alegre
  • Quaraí
  • Rosário do Sul
  • Santa Rosa
  • Santana do Livramento
  • Santo Ângelo
  • São Gabriel
  • São Sepé
  • Taquara



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