STF libera áudio em que Temer negocia silêncio de Eduardo Cunha; ouça


Pronunciamento de Temer, à imprensa após divulgação dos áudios da delação da JBS. Foto: Beto Barata/PR

O presidente da República, Michel Temer, foi encurralado com a divulgação do áudio em que conversa com o dono da JBS e negocia o silêncio do ex-aliado Eduardo Cunha. A conversa entre ele e Joesley Batista tem cerca de 38 minutos e muitos pontos inaudíveis.

Mais cedo, em pronunciamento, Temer disse que não irá renunciar e que não agiu para comprar o silêncio do ex-deputado carioca, conforme relatou Joesley em delação. Temer chamou as gravações de “clandestinas”, afirmou que não tem “nada a esconder” e que, por isso, não precisa de foro privilegiado.

A divulgação aconteceu logo depois de Edson Fachin, relator da Lava Jato no Supremo, retirar o sigilo da delação premiada dos executivos da empresa.

Ouça a íntegra

Leia um trecho

BATISTA: Eu vou falar assim… Dentro do possível eu fiz o máximo que deu ali, zerei tudo, o que tinha de uma pendência daqui pra ali, zerou, tal, tal. E ele [Cunha] foi firme em cima, ele já tava lá [na cadeia], veio, cobrou, tá, tá, tal, eu acelerei o passo e tirei da frente. O outro menino, o companheiro dele que tá aqui, né… O Geddel sempre tava…
TEMER: [inaudível]
BATISTA: Isso, isso. O Geddel é que andava sempre ali, também, com esse negócio, eu perdi o contato, ele virou investigado e agora eu não posso também encontrar ele.
TEMER: É, cuidado, tá complicado. [Inaudível] não parecer obstrução à Justiça. [inaudível]
BATISTA: Isso. Isso. Esse negócio dos vazamentos, o telefone lá do [inaudível] com Geddel, volta e meia citava uma coisa meio tangenciando a nós, a não sei o quê. Eu tô lá me defendendo. Como é que eu… O que que eu mais ou menos dei conta de fazer até agora. Eu tô de bem com o Eduardo, ok?
TEMER: Tem que manter isso, viu? [inaudível]
BATISTA: [falando mais baixo] Todo mês…
TEMER: [inaudível]
BATISTA: Também. Eu tô segurando as pontas, tô indo. Meus processos, eu tô meio enrolado aqui, né [Brasília]. No processo, assim…
TEMER: [inaudível]
BATISTA: Isso, isso, é, é investigado. Não tenho ainda a denúncia [contra ele]. Aqui eu dei conta de um lado, o juiz, dar uma segurada, do outro lado, o juiz substituto, que é um cara que fica…. [inaudível] Tô segurando os dois. Consegui um procurador dentro da força tarefa, que tá, também tá me dando informação. E lá que eu tô para dar conta de trocar o procurador que tá atrás de mim. Ô, se eu der conta, tem o lado bom e o lado ruim. O lado bom é que dá uma esfriada até o outro chegar e tal. O lado ruim é que se vem um cara com raiva, com não sei o quê…
TEMER: [inaudível] ajudando.
BATISTA: Tá me ajudando tá bom, beleza. Agora, o principal… O que tá me investigando. Eu consegui colar um [procurador] no grupo. Agora eu tô tentando trocar…
TEMER: O que tá… [inaudível].
BATISTA: Isso! Tamo nessa aí. Então tá meio assim, ele saiu de férias, até essa semana eu fiquei preocupado porque até saiu um burburinho de que iam trocar ele, não sei o quê, fico com medo. Eu tô só contando essa história para dizer que estou me defendendo aí, to me segurando. Os dois lá estão mantendo, tudo bem.

Aécio na mira

Durante a manhã, Fachin negou o pedido de prisão do senador Aécio Neves, mas o afastou do cargo. A irmã e o primo do tucano foram presos durante operação do PF. Aécio se licenciou da presidência do PSDB e Tasso Jereissati assumiu o posto. Aécio pediu R$ 2 milhões para executivo da JBS para bancar a sua defesa na Lava Jato – e as conversas foram intermediadas por Andrea Neves, a irmã do tucano.



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