Empresa de segurança que agia como milícia é alvo de operação em Pelotas

via MP-RS


O Ministério Público desencadeou na manhã desta terça-feira (5) a Operação “Braço Forte”, para combater crimes como tortura, formação de milícia, lesões corporais e danos patrimoniais no Sul do Rio Grande do Sul. Os ilícitos eram realizados por funcionários da empresa Nasf Portaria e Segurança que, teoricamente, deveria atuar em Pelotas com serviço de zeladoria.

As investigações do Ministério Público duraram três meses e foram desencadeadas a partir de denúncia efetuada na Promotoria de Justiça de Pelotas. São cumpridos 14 mandados de prisão, 21 de busca e apreensão de veículos e outros 26 de busca e apreensão na sede da empresa e em residências dos suspeitos.

Conforme promotores, a Nasf é de propriedade do tenente da reserva da Brigada Militar Nelson Antônio Silva Fernandes. A empresa que deveria prestar serviço de zeladoria se organizou em uma milícia que torturava suspeitos de crimes e, também, outras pessoas sem nenhuma vinculação com delitos.

A Nasf foi criada apos o tenente ir para a reserva, há cerca de dez anos. A empresa possui mais de cinco mil clientes e arrecada, aproximadamente, R$ 500 mil mensais. O nome da operação, “Braço Forte”, é uma alusão ao slogan da empresa “O braço forte da comunidade”, que por sua vez é uma alusão ao da Brigada Militar: “A força da comunidade”.

Violência como arma

Vídeos gravados pelos próprios acusados comprovam agressões a um suspeito de ter roubado uma residência para a qual a Nasf prestava serviços. Interceptações telefônicas autorizadas judicialmente também evidenciam os crimes praticados pelo bando.

Segundo apurado pelo Ministério Público, o grau de violência assustou, inclusive, brigadianos que atuam no policiamento ostensivo em Pelotas. Eles eram orientados a registrar os casos como supostas resistências à prisão.

Até mesmo familiares de possíveis criminosos eram espancados para informar o paradeiro dos alvos do grupo. Pessoas e empresas que não utilizavam os serviços da Nasf eram forçadas à contratação, através do arrombamento de suas residências e estabelecimentos comerciais.



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