Motorista acusado de ato obsceno em frente de passageira diz que foi vítima de vingança

O motorista que foi acusado por uma estudante de ter se masturbado em frente dela durante uma viagem pelo aplicativo Uber prestou depoimento à polícia ontem. Por quatro horas, ele deu detalhes sobre a corrida e negou o que havia sido dito pela jovem durante o registro da suposta ocorrência na noite de quarta-feira (8).

Ele já havia prestado depoimento a um delegado na noite de quinta-feira (9), onde registrou uma ocorrência contra a suposta vítima. O novo depoimento, feito à delegada da DEAM (Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher) responsável pelo caso, durou quatro horas.

Conforme a versão do motorista, a jovem havia pedido uma viagem do bairro Restinga, na zona Sul de Porto Alegre, até uma faculdade no bairro Rio Branco, na região Central da cidade. O chamado ocorreu por volta das 20h.

Segundo ele, a jovem – assim que entrou no carro – teria pedido para realizar o trajeto o mais rápido possível para que ela pudesse realizar a entrega de um trabalho. O prazo, segundo relatou o motorista, seria chegar ao ponto final da viagem às 20h20. No entanto, pelo aplicativo da Uber, a previsão de chegada era próxima às 20h40 e ele se negou a exceder os limites de velocidade.

Mesmo assim, a viagem prosseguiu até o terminal de ônibus do bairro Agronomia, na avenida Bento Gonçalves. Ao encerrar a corrida, a jovem teria dito que iria “se vingar” do motorista, conforme depoimento dele. A prestação de esclarecimentos ocorreu dentro da mesma lógica apresentada por ele no boletim de ocorrência feito um dia antes.

A Polícia Civil, que ainda investiga o caso, busca imagens de câmeras de monitoramento para tentar encontrar mais informações sobre o fato. Mesmo com o depoimento bem diferente da versão dada pela universitária, a Uber mantém o motorista fora do quadro de servidores até o esclarecimento do caso.

A denúncia

Na quarta-feira à noite, a jovem, de 26 anos, afirmou à polícia que iria até a faculdade por meio de uma viagem solicitada pelo aplicativo Uber. A viagem foi solicitada por uma amiga, já que a vítima não usa o app.

Segundo o depoimento, em um ponto do trajeto, o motorista teria perguntado à vítima se ela tinha sinal de celular. A mulher disse que não e o homem teria se masturbado diante dela. A jovem teria ligado para o namorado, que disse para que ela descesse do carro.

Afastamento

Em nota divulgada na quinta-feira a Uber se posicionou sobre o caso:

A Uber repudia qualquer tipo de violência contra mulheres. O motorista foi desativado da plataforma e não está realizando viagens. A Uber vai colaborar com as autoridades competentes para ajudar nas investigações, respeitando a legislação. Acreditamos na importância de combater, coibir e denunciar casos de assédio e violência contra a mulher.

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